Terça-feira, Setembro 20, 2005

E Fez-se Alqueva...


E fez-se Alqueva... Meio século depois alguém pensou que ainda seria boa ideia alagar o Alentejo... A Aldeia de Luz é mediática... mas e a Estrela? Está mesmo condenada ao esquecimento?
Quando se espalhou a notícia de que tudo ia avançar parti para, por uma última vez, me encontrar com o rio da minha infância. O tal que era barulhento e companheiro, o que tinha fortes correntes e azenhas onde na Segunda-Feira de Páscoa se comia, ainda, o borrego.


As águas subiram; 100, 123, 139 - cota 152 m.
E eis que surge o maior lago artificial de Europa. Que sentimento tão português o de tomar acções irreflectidas com o pretexto de sermos os maiores. Não somos. Não temos de o ser.


O cenário que agora encontro é inadjectivável. À primeira vista, e para quem não conheceu, parece um cenário paradisíaco [pelo menos é assim descrito nas inúmeras habitações à venda em agências imobiliárias]. Um grande lago repleto de ilhas e chaparros a perder de vista. Ilhas e chaparros, nunca ninguém pensou usar estas duas palavras numa mesma frase.
A mim mete-me muito medo; o forte rio que fazia barulho e companhia afogou-se e, agora, resta apenas um silêncio imenso, esmagador, medonho. Sinto-me só, deslocado de um sítio onde não sei se posso estar. Dezoito anos depois já nem o mesmo rio cá está para me receber. Não está cá nada... ninguém.


Muitos estudos foram feitos, no âmbito da psicologia ambiental, no sentido de se perceber o impacto do realojamento dos habitantes da Aldeia da Luz [agora submersa] para a Nova Aldeia da Luz. Na Aldeia da Estrela, o rio corria quase a um quilómetro. Agora está por todo o lado, invadiu a aldeia por todos os lados menos por um. Por onde quer que se olhe a paisagem é a mesma: água. Também na estrela o cemitério teve de ser removido por se encontrar em terras mais baixas.


Onde será maior o impacto? Nos habitantes de uma aldeia acarinhada pela nação, que recebeu toda uma nova e renovada aldeia onde se respira vida, turistas, festas, crianças a correr? Ou numa aldeia de que ninguém fala ou sabe o nome, que foi agoniantemente rodeiada por água. Uma aldeia que parece a mesma, mas é tão diferente. Uma aldeia sem vida onde dificilmente se encontra alguém.
Nos meses que antecederam o fechar das comportas foi feita, por profissionais em várias áreas, uma vasta recolha de material geográfico, biológico, botânico, arquelógico, sociológico e antropológico das zonas a submergir. Ao resultado desta recolha deu-se o nome de Museu da Luz, onde pude encontrar a carroça, a rede de pesca, as ferramentas de marcenaria do meu avô e as peneiras, tábuas de tender o pão e outros utensílios da minha avó. As mesmas terras, os mesmos costumes, um museu com nome errado.


Agora temos água. Muita água. Mas de que serve? "A água vai trazer gente e investimento ao Alentejo", há trinta anos atrás. Agora será, porventura, tarde.
Que se passeiem os barquinhos, que se atrase o plano de aproveitamento dos recursos hídricos na concretização de um sistema integrado de regas...
Terá mesmo valido a pena?

Esta História...

Os personagens desta história já todos desapareceram. A mim restam-me as vagas memórias dos aromas, dos sabores, dos rituais e das pessoas.
Já tudo vai muito distante mas, por alguma, razão tudo renasceu em mim.
Tenho saudades. Sinto falta de tudo. Sinto falta de todos. Lamento não ter estado mais presente.
Agora, na Estrela, só encontro os meus fantasmas.
Fui lá para os procurar.



Segunda-feira, Setembro 19, 2005

Aldeia da Minha Infância « Parte VII » O Rio

Acordei, em mais uma manhã, com um estranho barulho de passarada que me parecia estar mesmo dentro de casa. Junto ao fogo da manhã um bando de frenéticos pintos recém-nascidos procurava um pouco de calor.
Na chaminé estão já pendurados as linguiças e os paios em busca do precioso fumo que os seca e lhes dá sabor.
Passamos pelo pomar onde colhemos algumas peras e maçãs, na oliveira uma chiba vai pastando algumas ervas debatendo-se, ocasionalmente, com a corda que lhe prende os movimentos.
Trazemos uma couve para o almoço. Ao passar pela velha figueira, a minha avó ensina-me a dar golpes de navalha no tronco, para que escorra o leite branco, prejudicial aos figos.
Depois da sesta era comum irmos, de macho, até ao rio onde cada um desempenhava a sua tarefa.
Naquele tempo o Guadiana que ali passava era um rio vivo, barulhento, com correntes, açudes e azenhas. Era impressionante a força das águas que passavam ferozmente pelas duas velhas azenhas.
Sempre me diziam que se alguém fosse apan
hado na corrente e arrastado pelas azenhas, sairia do outro lado em mil pedaços. Havia de ser verdade.


O meu avô e o meu pai procuram os melhores sítios para lançarem a rede nas margens. Ora no Guadiana, ora no local onde este se encontrava com a ribeira de Alcarrache. Era um ritual algo fotogénico. O lançar da rede que no ar se abria ao máximo, para abraçar o rio com os seus pequenos chumbos que a levavam ao fundo do rio encerrando, em si, quase sempre peixe. Bogas, Barbos, Achigãs eram os mais comuns. [Frequentemente apareciam grandes cágados. Por vezes o meu avô espalhava durante a tarde uma mistura de cevada cozinhada para que os peixes viessem comer. Durante a noite era a recolha da pescaria. Quem lucrava mais com esta técnica eram os cágados que vinham comer os peixes que comiam a cevada.] Logo no local eram retiradas as escamas e devidamente amanhados os peixes com o auxílio de uma navalha. O peixe do rio era, habitualmente, comido frito ou em caldeirada, oferencendo apenas o seu sabor, uma vez que as abundantes espinhas tornavam difícil outro tipo de refeição.


A minha avó aproveitava este momento de rio para lavar as roupas à corrente, numas pedras colocadas para o efeito, com sabão que ela própria fabricava.
Eu... Brincava, nadava e saltava na água como qualquer criança faria.
No final das tarefas individuais juntavamo-nos todos, junto à carroça onde nos esperava uma marenda de sabor difícil de esquecer. Pão da avó e paio dos avós. Todos comíamos com grande vontade depois de mais um longo dia.


Como era belo o Guadiana com a sua força e a sua fúria, com o seu barulho e com a sua turbulência. Era um rio vivo e companheiro.
De noite, depois do jantar a reunião era no quintal. Fazia ainda tanto calor àquela hora. O mais certo era voltarmos a dormir cá fora, ao relento. E que belo que é. Nunca em outro sítio vi tantas estrelas como na Estrela. A minha avó mostrou-me, pela primeira vez, a Via Láctea; chamava-lhe a Estrada de S. Tiago. Lembro-me do dia do eclipse da Lua. Dizia-se que ficaria vermelha. Adormeci antes do tempo.

Aldeia da Minha Infância « Parte VI » As Matanças

Ocasinalmente era dia de matança do porco. Nesse dia todo um conjunto de novas tarefas surgiam, assim como pessoas vindas ninguém sabe de onde para ajudar e assistir a agonia do pobre animal.
A primeira parte era, invariavelmente, lúdica. O porco era solto pelo quintal onde aproveitava para correr numa ilusão doce e cruel de fuga. Atrás de si mais de dez homens correm entre gritos e risos. Por fim lá o apanham para o deitar na mesa da matança. Nesta altura os ruídos emitidos pelo suíno são ensurdecedores. Um golpe com uma faca bem afiada é quanto basta para litros de sangue escorreram para os alguidares de barro, onde alguém mexe com um pão para que não coalhe. Este sangue é depois cozido em água, cortado em pedaços e temperado com azeite, vinagre, sal e coentros. Logo depois, a minha parte favorita, maçaricos em chamas estorricavam os pelos do bácoro emanando aquele que ficou conhecido como o odor a pelos de porco queimados. Agora era a vez das crianças que com pequenas faquinhas limpavam a pele do porco para que não restassem pelos.
Tempo agora para a intervenção cirurgica e a remoção dos orgãos internos com especial atenção para as tripas. Ali perto, as galinhas rondavam o acontecimento na esperança que algo sobrasse para um festim.


As tripas eram reservadas para que fossem lavadas pela força das águas do guadiana e impregnadas em sal e limão, para depois serem usadas nos enchidos.
Mais tarde havia torresmos.
Matar um galo ou uma galinha era muito mais comum e discreto. Na hora da alimentação, as galinhas aproximavam-se e uma tinha já o destino traçado. Navalha na goela e continuar o trabalho. Depenar as galinhas cheira mal: facto. Água quente e mãos prontas a arrancar o ainda agora casaco galinácio. Uma cena verdadeiramente marcante era o abrir da galinha e encontrar no papo o milho inteiro acabado de engolir. Não pareceria assim tão mau, se o papo não fosse aberto e o milho oferecido às restantes galinhas que alegres debicam um novo petisco.
Mais tarde havia canja e guisado.

Aldeia da Minha Infância « Parte V » Mestre Zé

O meu avô Zé era conhecido na aldeia como "Mestre Zé", era moleiro nas azenhas do Guadiana e, apesar de não saber ler nem escrever, guardava em si um conjunto de ofícios cuja aprendizagem me custa ter negligenciado. Tecia redes para a pesca no guadiana, caçava pássaros com a sua caçadeira, fazia marcenaria, cortava cabelo e tinha duas carroças para uso do Macho Fidalgo.


Como não tinhamos água tornava-se necessário ter uma carroça/depósito que se deslocava até à fonte, mesmo à entrada da horta do Ti Chico [personagem que recordo de beber minis na taberna, de pentear o cabelo muito curto com um pente e de falar de uma forma que eu não compreendia]. A água era fresca e pura e era tirada do depósito da carroça através de uma mangueira que me ensinou as primeiras leis da física. Aplicando sucção na extremidade da mangueira a água escorreria então abundante para as cântaras de barro.


A outra carroça era apenas de passeio. Depois do ritual de preparação do Macho [que incluia limpar as grandes narinas com um pano, escovar todo o pelo e afiar os cascos com uma navalha], montavamo-nos na carroça azul onde se podia ler as iniciais do meu avô em Stencil [J.F.B.], e desciamos o acidentado caminho até ao rio.

Aldeia da Minha Infância « Parte IV » Rituais

À parte dos rituais semanais existiam os diários. De manhã e ao fim da tarde dar o milho e a ração às galinhas, dar palha e feno ao macho Fidalgo, lavar e alimentar os bácoros com o milho amolecido em água nos baldes pretos.
Quando por lá estava calhava-me a mim a aparentemente simples tarefa de apanhar os ovos que as galinhas haviam posto naquele dia. Ora, galinácios não são o meu forte e eles sabem disso. Quando as galinhas estavam em cima dos ovos, começava todo um longo processo de atirar pequenas pedras ou enchotar as bichas com um pau. A galinhas não são conhecidas pela suas esmerada inteligência, mas a verdade é que não caiem duas vezes no mesmo truque. Era frequente que a minha avó tivesse que intervir para resolver a situação e por a mão nos ovos em poucos segundos.
O dia na Estrela começava realmente cedo, especialmente me Agosto quando as temperaturas vespertinas não convidam à permanência exterior. Pelas 4 da manhã, ainda antes de nascer o sol, a casa começava a ter vida, a cafeteira azul com água fervia já no lume de chão, adivinhando um chá de Erva Luísa com Flor de Laranjeira. Com os primeiros raios de sol dirigiamo-nos para os campos de baixo, ao pé do poço, onde colhiamos os bagos de grão já bem amarelos pelo sol. Naqueles dias, o poço quase não tinha água por ser verão e era possível ver um pequeno túnel no fundo que iria dar à nascente. A minha mente imaginativa não poupou pesadelos acerca de um túnel assustador no fundo de um poço.


Com o aproximar da hora de almoço era tempo de nos abeirarmos de casa. A minha avó teria preparado um gaspacho, uma sopa de beldroegas ou feijão do meloal.Por vezes acompanhavamos a refeição com chá frio das ervas da manhã.
É impossível sair à rua no calor de Agosto depois do almoço. E era desta forma que se dava início a mais uma hora mágica - a hora da sesta. Sempre gostei de sestas, mas não me lembro de ter verdadeiramente dormido em nenhuma. Era mais uma boa oportunidade para viajar nos meus pensamentos e observar um qualquer pormenor insignificante do que me rodeava. Eram tempos calmos. As janelas fechadas para que o calor não entrasse deixavam escapar apenas a luz suficiente, no chão estendiam-se mantas de retalhos onde, com os meus avós, era tentada uma sesta. A banda sonora, estava a cargo do velho relógio de corda que a cada segundo marcava o compasso.

Aldeia da Minha Infância « Parte III » Ti Estrudes

Quando penso na Estrela, a minha mente fervilha de memórias de momentos, actividades, cheiros, risos e sabores...
A minha avó Gertrudes era conhecida na aldeia como a "Ti Estrudes". Tinha a carta de condução e uma carrinha muito curisosa que usava para ir à aldeia mais próxima comprar farinha para fazer pão.
Era uma vez por semana.


Todas as manhãs de tentava levantar ao mesmo tempo que os meus avós, mas era uma tarefa que parecia impossível e se mostrava, quase sempre, inglória. No dia de fazer pão, isto era especialmente verdade. O meu avô, personagem de poucas falas mas sempre sorridente, apesar dos poucos dentes [lembro-me de lhe ter nascido um já em idade avançada], levantava-se para ir ao campo buscar piornos. Os piornos tinham a função dupla de atear o lume no forno para gerar o calor suficiente à cozedura do pão e serviam para fazer aquelas práticas vassouras de campo. As vassouras da semana anterior iam sempre atear o fogo desta semana e dos piornos recém-chegados, surgiam novas vassouras.


A minha avó amassava o pão numa divisão especial da casa, onde se amarzenavam os paios e os melões que pendiam das traves do tecto. Em redor, um conjunto de utensílios de grande utilidade para as tarefas que ali tomavam corpo - as bilhas de barro para a água fresca, as peneiras para a farinha, os alguidares de barro para o pão e para os enchidos e alguns funis para encher garrafões de vinho e azeite.
Fazer o pão encetava, então, todo um novo ritual. Tudo começava com o um pouco de farinha e água morna com o sal. Uma porção de massa que havia ficado reservada da semana anterior era utilizada para fermento. E era então que os braços fortes da minha avó amassavam vigorasamente a mistura com os punhos fechados em forma de murro. Divertia-me a chafurdar, pouco mais poderia fazer... No fim, uma grande tábua de madeira recebia várias porções de massa que dariam origem a duradouros e saborosos pães de cabecinha. Fazia sempre questão de fazer o meu próprio pãozinho com chouriço.


Nem toda a massa era utilizada para pão. Ao que sobrava, a minha avó juntava azeite, ovos e açúcar que davam origem a deliciosos bolos. Juntando banha, ovos e açucar fazia pequenos biscoitos de sabor inesquecível - as popias.


Domingo, Setembro 18, 2005

Aldeia da Minha Infância « Parte II » A Chegada


E eis que chegámos à Aldeia da Estrela. Primeira paragem no Café Estrela, logo à entrada. Local estranho onde me querem convencer que não existem sumos de ananás com gás. De facto, nunca vi um camião de Sumol por estas paragens.
Avançamos então pela aldeia, passamos a pequena igreja que está sempre fechada. Já a vi aberta e lembro-me de ser bela... Seria azul? Mais à frente o pequeno largo com um chafariz e o mini-mercado Banha.
Seguimos então pela estrada que desce ladeada, agora sim, pelas terras dos meus avós. Em baixo, o poço.
Rua do Caiado. Chegámos. O meu pai ultima as manobras de estacionamento e eu saio para esticar as pernas e dar início ao ritual.
Era sempre assim. Tocava à campainha e escondia-me. Ora, tudo isto era uma grande ilusão porque os adultos sabem sempre tudo. Mas mesmo assim... A minha avó abria a porta, procurava o tocador de campainhas e, quando me encontrava abraçava-me com tal força, com tal felicidade cobrindo-me de beijos (como só as avós sabem fazer (tenho de incluir a minha querida Ti Jaquina no grupo)) perpetuando, desta forma todo o ritual.

Aldeia da Minha Infância « Parte I » O Caminho

Mais uma férias de Verão, estamos na segunda metade dos anos 80.
Parto da casa do meu pai em direcção ao Alentejo e, do alto dos meus 6 anos, imagino já uma viagem sem fim. A viagem das viagens. O sítio mais longe onde se podia ir. Para lá da Estrela já nada existiria.
Vendas-Novas onde acordo e pergunto, mais uma vez, "onde estamos"... Mesmo sabendo que o quartel dos canhões denunciava a minha crueldade infantil... Montemor, Évora, Reguengos, Mourão... É o ponto sem retorno. Mourão representa a proximidade iminente. Se por um lado já não encontro posição no banco depois de tão longa jornada, por outro já pouco falta.
Mas o que falta é o mais importante.
Mourão é a terra da minha mãe e estava habituado a chegar-me até lá para visitar os avós maternos, não sem antes passar pelos Tios em Reguengos. Mas passar por estas terras com o meu pai, tinha todo um significado diferente. As paragens eram outras, as caras eram outras e, acima de tudo, ao chegar a Mourão a viagem não cessa. O caminho onde não se avistam carros à frente e onde não se avistam carros atrás, o caminho secreto e algo proíbido seria transposto e estava prestes a ser percorrido.
Seguimos então pela estrada municipal EM 517, deixando à direita a Aldeia da Luz. Os caminhos aqui são quase sempre a direito. De um lado e do outro da estrada estendem-se campos de cereais e girassóis. Não me lembro de ter alguma vez visto girassóis. Que grandes são... Bem maiores do que imaginava.
O meu desconhecimento sobre a vida é considerável, pelo que o melhor é imaginar... E eu gostava de imaginar que, de alguma forma geograficamente incomportável, todos aqueles terrenos pertenciam ao meu avô.
Mais uma viragem e eis que aparece, ao fundo a placa onde se lê: Estrela. Esta placa é única, uma vez que em nenhum outro lado, em nenhuma outra aldeia podem ser recolhidas direcções acerca da Aldeia da Estrela. Sabia que a placa iria estar torta, ou caída no chão... Estava sempre. Sabia que o meu pai o iria comentar... Comentava Sempre. Era nestas alturas que eu me familiarizava, pela primeira vez, com expressões como "pantufada".


A derradeira viragem à direita e começava o caminho divertido. Uma estrada sempre a direito, sem qualquer curva, mas cujo terreno a presenteou com o formato bossa de camelo. O efeito carrocel divertia-me... Mas como nunca mais chegavamos o desafio passava por saber quantas bossas tem o camelo até chegar à estrela.